TV Digital
São Paulo – Por enquanto, as operadoras não oferecem aparelhos compatíveis com sinal digital, deixando caminho aberto para TVs portáteis e PCs.
Ao justificar a escolha do padrão japonês de TV digital como referência para o sistema brasileiro, um dos aspectos enfatizados pelo governo era que o modelo nipônico seria o melhor acabado para transmissões móveis – voltadas a TVs portáteis e celulares. A partir da estréia da TV digital em São Paulo, no próximo domingo (02/12), quem tiver um aparelho móvel com receptor poderá assistir à TV aberta gratuitamente em qualquer lugar, mas a questão é encontrar estes produtos no mercado.Segundo o ministro das Comunicações, Hélio Costa, se depender das operadoras, os celulares compatíveis com a TV digital ainda demoram a chegar ao mercado. “Não tenho visto nenhum interesse das companhias telefônicas em pedir para que se comece a produzir o telefone capaz de receber a TV digital”, disse ele.
A razão é que a TV aberta no celular pode consumir tempo que o usuário gastaria falando ou assistindo a conteúdos pagos. “Vamos ser muito claros, não é muito bom negócio para as operadoras colocar no celular um dispositivo que lhe dá o direito de sentar no ônibus e assistir TV de graça ao invés de ficar pendurado no telefone com a namorada pagando 1 real ou 50 centavos por minuto”, diagnostica o ministro.De acordo com ele, há uma fabricante japonesa – cujo nome ele não quis revelar – que tem um celular pronto para ser lançado no mercado, mas a oferta dependerá da disposição das operadoras em colocar o produto nas lojas.
Para Eduardo Tude, da consultoria Teleco, o ânimo das operadoras em relação ao assunto só mudará se elas perceberem a recepção à TV digital como um diferencial para conquistar o cliente. “Ainda é cedo para isso. A área de cobertura ainda é muito restrita e o mercado é pequeno”, opina Tude. “Quando houver interatividade pode se tornar interessante, pois o uso do canal de retorno pode gerar tráfego”, ele acrescenta.
Para André Caramuru Aubert, consultor especializado em mobilidade, é preciso observar ainda em que contexto a TV aberta no celular faz sentido. “Não me empolgo com a experiência de assistir um jogo de futebol sozinho, em uma tela pequena – faz muito mais sentido assistir em um bar com os amigos, ou na sala, comendo pipoca”, ele argumenta. “Mas se eu estiver preso em um ônibus, pode fazer sentido”.Para Caramuru, conteúdos de menor duração, feitos pelos próprios usuários, podem ser muito mais relevantes que a TV aberta no celular. “Se alguém posta um vídeo mostrando um acidente de trânsito que acaba de acontecer na Marginal, pode ser mais interessante”, ele argumenta.
Enquanto os celulares com receptor não chegam ao mercado, outros produtos farão uso do sinal móvel – conhecido como oneseg – transmitido pelas emissoras. Embora tenha menor resolução – 320 x 240 pixels, o que corresponde a um quadro de mais ou menos 10cm x 8cm -, o sinal é uma alternativa para quem não se importa em assistir a transmissão em telas pequenas, como o monitor do computador, por exemplo.
É o caso dos receptores USB para desktops e notebooks de fabricantes como Tectoy, Gradiente e Philips, que custam mais barato que os conversores para TV – na faixa de 370 reais a 400 reais.As TVs portáteis, com telas maiores e mais confortáveis, também podem ocupar o espaço deixado pelos celulares, mas produtos deste tipo ainda não chegaram às lojas. A Semp Toshiba afirmou que poderá trazer uma TV portátil chamada Gigabeat ao Brasil, mas não deu prazo para o lançamento.
Outra modalidade de produto que deve chegar em breve ao mercado são os laptops com receptor integrado. A Comsat, empresa do grupo RS Telavo, vai oferecer três modelos de dispositivos de baixo custo com receptor integrado.
Um deles é o Mobilis, laptop educacional produzido em parceria com a indiana Encore posicionado para concorrer com projetos similares – como o XO, da OLPC (One Laptop per Child) e o Classmate PC, da Intel.
O aparelho já virá com receptor para o sinal de TV digital aberta móvel integrado e tela de 7 polegadas, mas também poderá ser ligado a uma TV de até 14 polegadas. A configuração inclui processador de 400Mhz, memória RAM de 256 Megabytes (MB), memória flash de 1Gigabyte (GB), Wi-Fi integrado e duas portas USB.O Mobilis custará 626 reais – o que o coloca em um patamar acima dos concorrentes educacionais -, mas será vendido no varejo, o que significa que qualquer interessado poderá comprá-lo (não apenas o governo e as escolas, como os rivais).
Além dos modelos educacionais, a fabricante vai produzir outros computadores de baixo custo que recebem o sinal de TV digital. A série Alquimista de CPUs virá em, duas configurações. A mais simples vem com 1GB de memória flash, 512 de RAM, 40GB de HD, quatro saídas USB, GPS e suporte integrado a Wi_Fi e GPRS (que permite usar a rede celular para navegar na web). Este modelo sairá por 670 reais.
Já a versão premium inclui além da CPU, um teclado e tela de 7 polegadas, custando 710 reais. Os dois modelos chegam às lojas em 15 de dezembro – a Comsat já fechou acordo com a rede Polishop para vender os aparelhos.
Mas o “xodó” da Comsat, nas palavras de Jakson Sosa, presidente da empresa, é o ViTV, que traz tela de 4.3 polegadas touchscreen, 512MB de RAM e memória flash de 1GB. O modelo vai custar 350 reais e deve estar pronto no final de janeiro.
“Porque comprar um simples caixa para converter o sinal se você pode ter um computador que faz o mesmo?”, argumenta o executivo.